← Voltar ao blog 04 de outubro de 2024 · 4 min de leitura

Ver-nos pelos olhos dos outros

No outro dia, durante a minha formação de escrita criativa, deparei-me com um exercício que me ficou gravado. E não apenas pelo lado técnico, que, convenhamos, já era motivo suficiente, mas pela perspetiva inesperada que trouxe: a de me ver pelos olhos dos outros.

O exercício parecia simples: escrever uma breve apresentação sobre mim, baseada apenas nas informações que eu sabia que os outros tinham de mim.

Nada de florear, nada de justificar. Apenas aceitar e colocar no papel o que o mundo vê, ou acha que vê.

Parece fácil, não é? Pois bem, não é. Obriga-nos a despir camadas, a reconhecer julgamentos e, acima de tudo, a observar-nos de fora, como se fôssemos um personagem criado por alguém.

Dividi então as perceções em dois grupos: o das pessoas que me conhecem bem e o das que não me conhecem de todo. E o resultado foi, digamos, um retrato fiel e contraditório, como todos nós somos.

Teresa Isabel Silva sentada entre rochas, rodeada de natureza e montes verdes, num momento de pausa e introspeção ao ar livre
📑 Índice:


Eu, aos olhos dos outros…

✨ Segundo quem me conhece bem:

  • A das ideias absurdas.
  • A que está sempre a ter ideias novas.
  • A que prefere os animais às pessoas.
  • A viciada em café.
  • A que passa a vida a estudar e a trabalhar.
  • A que precisa de ter tudo arrumado e organizado.


😏 Segundo quem não me conhece de todo:

  • A que tem a p*** da mania.
  • A do nariz empinado.
  • A que gosta de ser do contra e complicar as coisas.
  • A que não gosta das pessoas que não gostam dela, e faz questão de mostrar.
  • A que tem a mania das limpezas.


O espelho dos outros

Enquanto escrevia estas listas, percebi algo curioso: o modo como os outros nos veem é um reflexo, às vezes distorcido, às vezes claríssimo, daquilo que mostramos (ou deixamos escapar).

A forma como, nos vestimos, como falamos, como reagimos ou até como organizamos a nossa vida transmite mensagens, mesmo quando não abrimos a boca.

Por isso, compreender como os outros nos veem pode ser um exercício de autoconhecimento poderoso.

Não porque devamos viver à sombra das opiniões alheias, mas porque elas funcionam como um espelho que revela partes de nós que, muitas vezes, ignoramos.

Há sempre um equilíbrio delicado entre o “eu verdadeiro” e o “eu percebido”.

De um lado, aquilo que realmente somos; do outro, a imagem que o mundo constrói com base nos fragmentos que partilhamos.

E no meio disso tudo está o nosso desafio: entender o que faz sentido absorver e o que devemos simplesmente deixar ir.


✅ Podem também querer ler: Escrita terapêutica: libertem-se através das palavras


O perigo de viver pelo olhar dos outros

Claro que há uma linha ténue entre usar o olhar dos outros como ferramenta de autoconhecimento e deixar que ele nos defina.

Muitas vezes, ficamos presos à ideia de agradar, queremos ser simpáticos, parecer competentes, parecer felizes.

Mas quanto mais tentamos controlar a perceção dos outros, mais nos afastamos da nossa essência.

É um jogo perigoso e desgastante.

A verdadeira força está em reconhecer as diferentes versões de nós que circulam por aí, sem deixar que nenhuma delas tenha mais poder do que a nossa própria visão.

No fim de contas, todos somos protagonistas e figurantes nas histórias dos outros, e está tudo bem com isso.


O papel da organização nisto tudo

Pode parecer que este tema nada tem a ver com organização, mas tem, e muito.

Organizar a vida, o espaço e até os pensamentos é uma forma de nos alinharmos connosco mesmos.

Quando sabemos quem somos e o que valorizamos, torna-se mais fácil lidar com as interpretações externas.

Não precisamos provar nada, nem corrigir perceções. Apenas viver de forma coerente com o que acreditamos.


E é precisamente isso que exploro no meu eBook “Vida Nova em 10 Passos”, uma leitura prática e inspiradora para quem quer reencontrar o equilíbrio e transformar a rotina com propósito.

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Imagem da capa do eBook Vida Nova em 10 Passos. Cores suaves e título ao centro. O livro propõe um caminho prático para organizar a vida com equilíbrio.

Um convite para vocês

Agora é a vossa vez.

Peguem num papel e escrevam duas listas:

  • Como acham que as pessoas que vos conhecem bem vos descrevem.
  • Como imaginam que as pessoas que não vos conhecem vos veem.

Depois, leiam o que escreveram com calma.

Há algo que vos surpreende? Há algo que vos define mais do que gostariam?

Este é um ótimo ponto de partida para quem quer trabalhar a autenticidade, e, claro, praticar a escrita criativa.


Contem-me nos comentários o que descobriram com este exercício.

E se quiserem acompanhar mais reflexões como esta, venham ter comigo ao Instagram @teresaisabel.silva.3, é lá que partilho os bastidores, as ideias e as minhas inevitáveis doses de café.

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