Engolir um chiclete: memórias de um trauma infantil
Há dias conversava com a minha mãe sobre aqueles traumas de infância que todos tivemos e que, sinceramente, quase nos deram mini ataques do coração (a nós e aos nossos pais). E, claro, veio à baila um dos meus maiores “dramas”: o mítico aviso “se engolires a pastilha elástica, ela cola-se na barriga e podes morrer”.
Quem nunca ouviu isto não sabe o verdadeiro significado de medo irracional.
O acidente mais dramático dos meus seis anos
Eu não devia ter mais de seis anos quando, num dia perfeitamente banal, engoli uma pastilha elástica. Sim, um acidente típico: estamos a falar, a rir ou a respirar com entusiasmo e… lá vai ela, garganta abaixo, sem pedir autorização.
E imaginem o pânico. Juro que consegui sentir a descida da dita pastilha pelo esófago como se fosse uma cena em slow motion. A cada milímetro percorrido, eu tinha a certeza absoluta de que estava prestes a viver uma daquelas mortes trágicas de novela mexicana.
Aliás, cheguei a ver a minha vida a passar-me à frente dos olhos. E, como só tinha vivido seis anos, o flashback foi tão curto que quase deu para incluir intervalos publicitários.
A infância e os seus medos magnificamente ridículos
Mas para mim, naquele momento, nada disto era ridículo. Aquela sensação de “vou morrer agora e ninguém vai acreditar no motivo” era tão real que já imaginava a lápide:
“Aqui jaz: muito amada pelos pais, mas comeu um chiclete e morreu.”
Dramas de criança, eu sei. Mas na altura aquilo foi épico.
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A explicação científica (vinda da mesma pessoa que espalhou o mito)
Spoiler: sobrevivi.
E não só porque aqui estou a escrever-vos isto, mas porque a ciência diz o mesmo: ninguém morre por engolir uma pastilha elástica.
Na altura, a minha mãe, que, ironia das ironias, tinha sido uma das principais difusoras do mito, explicou-me calmamente que tudo não passava de um exagero. Confesso: durante uns segundos achei que ela só tentava tornar a minha morte mais tranquila.
Ainda assim, obedeci religiosamente às instruções:
- Bebi água, muita água. (Talvez achasse que ia afogar a pastilha.)
- Fiquei à espera do fim.
- E só voltei a respirar quando ouvi o decisivo: “A pastilha vai ser digerida como outra comida qualquer.”
Foi aí que o pânico libertou o meu corpo e dei o suspiro mais dramático da minha curta existência.
Uff. Que susto.
E vocês? Que traumas de infância vos marcaram?
Agora quero saber de vocês! Qual foi o vosso maior medo de infância, aquele que hoje vos faz rir, mas que, em criança, parecia o fim do mundo?
Contem-me tudo nos comentários ou lá no Instagram, adoro ler estas memórias porque, convenhamos, crescemos todos com estes mini traumas universais.
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