← Voltar ao blog 07 de novembro de 2026 · 16 min de leitura

Marta Vedor: A organização deve servir a vida

Organizar a casa pode ser muito mais do que encontrar um lugar para cada objeto. Pode significar simplificar rotinas, reduzir o excesso, recuperar tempo e criar um espaço que contribua para o nosso bem-estar. É esta a visão defendida por Marta Vedor, Personal Organizer, autora e fundadora da Organização e Companhia.

Para além do trabalho como Personal Organizer, Marta é autora do livro Como Organizar a Casa e Simplificar a Vida, publicado em 2023, e desenvolve cursos, guias e outros recursos digitais dedicados à organização. É também mentora e formadora de Personal Organizers em Portugal, ajudando outras profissionais a estruturar e desenvolver os seus negócios.

Nesta entrevista, falamos ainda sobre excesso, rotinas, saúde mental, divisão de responsabilidades dentro da família e os pequenos hábitos que podem fazer uma grande diferença no nosso dia a dia.

Fotografia de Marta Vedor, mulher de cabelo escuro e óculos de armação castanha e transparente, sorrindo e olhando para a esquerda. Ela veste uma camisa branca e está sentada num sofá claro, com uma grande planta verde ao seu lado esquerdo. A sua mão direita repousa no queixo. O fundo é neutro.
📑 Índice:


Da paixão pela organização à criação da Organização e Companhia

Antes de se tornar Personal Organizer, Marta já tinha na organização uma presença natural no seu quotidiano. 

Teresa Silva: Para começar, como nasceu o projeto Organização e Companhia e o que a levou a trabalhar profissionalmente esta área?

Marta Vedor: A Organização e Companhia nasceu de uma forma bastante inesperada. Sou licenciada em Gestão e Administração Hoteleira e durante a pandemia fiquei em layoff. Nessa altura, procurei uma forma de ocupar o meu tempo e, ao mesmo tempo, fazer algo que já fazia naturalmente há muitos anos: organizar e simplificar a casa. Comecei a partilhar dicas de organização e gestão de rotinas que já utilizava no meu dia a dia e percebi rapidamente que existia muito interesse neste tema.

O nome Organização e Companhia surgiu, na realidade, de um projeto anterior que já tinha, um blog onde falava sobre organização, leitura, limpezas, gestão de rotinas e outros temas relacionados com o dia a dia. Acabou por fazer sentido recuperar esse nome e transformá-lo num projeto profissional nesta área. Foi assim que, em 2020, comecei o meu percurso e fui percebendo que aquilo que inicialmente era uma forma de ocupar o tempo poderia transformar-se num rendimento extra. Só em 2021 é que comecei a atuar como personal organizer, depois de vários cursos, a atender os meus primeiros clientes e a conciliar esta nova ocupação com o meu trabalho a full time.


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Teresa Silva: O que significa, para si, uma pessoa ser verdadeiramente organizada?

Marta Vedor: Para mim, ser organizada não significa ter uma casa perfeita, impecável ou digna de uma fotografia no Pinterest. Significa ter uma casa e uma vida que funcionam para ti. É conseguires encontrar o que precisas, saber onde cada coisa pertence e ter sistemas que facilitem o teu dia em vez de te obrigarem a estar constantemente a arrumar.

Uma pessoa verdadeiramente organizada também sabe adaptar a organização à sua realidade. Uma casa com crianças, animais, trabalho, diferentes horários e uma família inteira a utilizá-la não pode funcionar da mesma forma que uma casa de uma pessoa que vive sozinha. A organização tem de servir a vida, e não o contrário. Como disse uma vez uma aluna minha, não podemos deixar a casa dominar-nos, temos de ser nós a dominá-la.


Organizar para simplificar, não para procurar a perfeição

A imagem de uma casa perfeitamente arrumada pode criar expectativas pouco realistas sobre o que significa ser organizado. Para Marta, uma casa organizada não é necessariamente uma casa impecável, mas sim um espaço que funciona de acordo com a realidade de quem lá vive. 

Teresa Silva: Existe algum mito sobre organização que gostasse de desconstruir?

Marta Vedor: Um dos maiores mitos é a ideia de que uma casa organizada é uma casa onde nunca há desorganização. Acredito precisamente no contrário, que uma casa é para ser vivida. É normal haver brinquedos fora do sítio, roupa por guardar ou uma bancada que precisa de ser arrumada. Outro mito é que precisamos de muitos produtos e organizadores para conseguir organizar uma casa. Na realidade, muitas vezes o primeiro passo é precisamente ter menos coisas. A organização começa pela triagem e pela decisão sobre aquilo que realmente faz sentido manter. Só depois devemos pensar em como organizar o que ficou.

Uma casa organizada é uma casa onde conseguimos voltar a pôr as coisas no lugar sem que isso se transforme numa tarefa interminável.


Teresa Silva: De que forma uma vida mais organizada pode influenciar o nosso bem-estar e a nossa saúde mental?

Marta Vedor: A organização pode retirar uma enorme quantidade de pequenas decisões e preocupações do nosso dia. Quando sabemos onde estão as coisas, quando temos uma rotina que funciona e quando não precisamos de estar constantemente a pensar no que falta fazer, existe uma sensação maior de controlo e tranquilidade. Não acredito que organizar a casa resolva todos os problemas da nossa vida, mas acredito que o ambiente onde vivemos pode contribuir muito para a forma como nos sentimos e agimos fora de casa. Uma casa que nos facilita a vida, em vez de estar constantemente a exigir a nossa atenção, pode criar espaço mental para outras coisas. Como digo muitas vezes aos clientes, a nossa casa não pode ser mais um motivo de stress na nossa vida.

Imagem com fundo branco dividida em duas partes. À esquerda, aspas cor-de-rosa e a frase de Marta Vedor: "Uma pessoa verdadeiramente organizada também sabe adaptar a organização à sua realidade.", seguida pelo nome da autora e o cargo "Personal Organizer, autora e fundadora da Organização e Companhia". À direita, numa moldura circular, está a fotografia de Marta Vedor a sorrir, com óculos, camisa branca e cabelo escuro, sentada junto a uma planta verde.

Teresa Silva: Até que ponto a desorganização pode afetar as nossas relações pessoais, o trabalho ou até a nossa autoestima?

Marta Vedor: Pode afetar muito mais do que aquilo que inicialmente imaginamos. Quando uma pessoa vive constantemente frustrada com a casa, atrasada porque não encontra as coisas, sobrecarregada com tarefas domésticas ou a discutir com a família por causa da desorganização, esse problema deixa de estar apenas dentro de quatro paredes.

Ao longo do meu trabalho percebi que a forma como uma pessoa fala da sua casa diz muitas vezes muito sobre a forma como está a viver. A desorganização pode contribuir para conflitos, sensação de incapacidade, culpa e até para aquela sensação tão comum de 'não consigo dar conta de nada'. E esse peso acaba por acompanhar a pessoa para o trabalho, para as relações e para a sua vida social.

Uma das coisas que uma casa organizada pode trazer é precisamente a redução desse peso, deixar de sentir que a própria casa é mais uma coisa com que tens de lidar. Eu, por exemplo, não considero a gestão da minha casa “mais uma tarefa”. É algo que faz tão parte do nosso dia a dia, meu e da pessoa que está comigo, que não é mais uma coisa, mas sim parte da rotina.


Menos coisas, mais tempo e menos stress

Vivemos rodeados de objetos, informação e estímulos. Ao mesmo tempo, temos cada vez mais responsabilidades e menos tempo disponível. Para Marta, simplificar passa também por questionar aquilo que trazemos para dentro de casa e perceber que ter menos pode significar ter menos coisas para gerir. 

Teresa Silva: Que mudanças considera que mais têm contribuído para tornar as pessoas mais desorganizadas atualmente?

Marta Vedor: Hoje temos mais coisas, mais informação, mais estímulos e, muitas vezes, menos tempo. Consumimos mais, trabalhamos mais horas, estamos permanentemente ligados e temos acesso imediato a uma quantidade enorme de produtos, informação e conteúdos que nos dizem constantemente o que deveríamos ter ou fazer.

Além disso, existe uma grande facilidade em comprar tanto online como em lojas. Muitas vezes trazemos para casa coisas sem pensar verdadeiramente onde vão ser guardadas ou, se precisamos delas. O resultado é, mais objetos para gerir, limpar, organizar e manter. E quanto mais temos, maior é também a carga de gestão da casa.

Por isso é que para mim, a casa para não gerar stress tem de ser o mais simples possível. Não é sobre ser minimalista, mas sim saber exatamente o que tens e onde. Isso ajuda a que a casa seja menos uma fonte de estímulo e preocupação entre os milhares de estímulos com que lidamos todos os dias.


Teresa Silva: O que mudou na forma como as pessoas procuram organizar o seu tempo e a sua vida nos últimos anos?

Marta Vedor: Tenho sentido uma procura crescente por descomplicar. Durante muito tempo a organização esteve muito associada à produtividade e à ideia de conseguirmos fazer cada vez mais. Hoje vejo cada vez mais pessoas a procurar precisamente o contrário. Querem perceber como podem fazer menos, ter menos coisas para gerir e recuperar tempo para o que realmente importa, quer seja a vida pessoal, o tempo com os filhos ou simplesmente o descanso.

Também existe uma maior consciência de que não precisamos de encaixar a nossa vida num sistema perfeito encontrado nas redes sociais. As pessoas começam a perceber que uma rotina só funciona quando é adaptada à sua realidade, e isso é das melhores mudanças que tenho visto.


Teresa Silva: Quais são os primeiros hábitos que recomenda a quem quer tornar-se mais organizado?

Marta Vedor: Começaria por três coisas muito simples que fazem inclusive parte do meu Método Organização e Companhia: fazer triagens regulares para reduzir o excesso, definir um lugar fixo para cada coisa e criar pequenas rotinas de manutenção.

Antes de tentares organizar tudo, precisas de saber realmente o que tens. A maioria das pessoas não sabe e a triagem ajuda não só a perceber o que já não faz sentido manter, mas também a ter uma visão clara de tudo o que tens. Depois, garante que aquilo que fica tem um lugar definido e lógico para a tua rotina. Se estiveres só a pousar em qualquer sítio, qualquer sítio serve e a desordem regressa rapidamente. E, por fim, cria pequenos momentos para devolver as coisas ao seu lugar. A manutenção é essencial. Não é necessário passar um sábado inteiro a organizar a casa. Muitas vezes, 10 ou 15 minutos bem utilizados fazem uma diferença enorme.

Imagem com fundo branco contendo uma citação em destaque à esquerda, iniciada por grandes aspas cor-de-rosa. Lê-se: "As rotinas têm de ser construídas à volta da nossa vida real e não da vida ideal que gostaríamos de ter.". Abaixo, em texto preto e cor-de-rosa, está o nome "Marta Vedor" e o título "Personal Organizer, autora e fundadora da Organização e Companhia". À direita, dentro de um círculo, encontra-se uma fotografia de Marta Vedor a sorrir, com óculos, camisa branca e cabelo escuro, sentada num sofá com uma planta verde atrás.

Teresa Silva: Como podemos criar rotinas que sejam realistas e que consigamos manter a longo prazo?

Marta Vedor: As rotinas têm de ser construídas à volta da nossa vida real e não da vida ideal que gostaríamos de ter. Se uma rotina exige duas horas por dia e tu não tens duas horas disponíveis, não é uma rotina sustentável. A organização não é um projeto que fazemos uma vez e fica terminado. É um sistema que precisa de ser mantido, é um trabalho contínuo. Se eu organizo num dia e depois nunca faço nada para manter, a desorganização vai regressar. Este é o problema da maioria das pessoas, querem que fique logo tudo feito sem depois ter o trabalho constante da manutenção.

Prefiro sempre sugerir começar pequeno. Uma tarefa de cinco minutos que conseguimos repetir todos os dias ou uma de 15 minutos todas as semanas é muito mais útil do que um plano perfeito que abandonamos ao fim de três dias. A consistência na organização é muito mais importante do que a intensidade.


Teresa Silva: Será que tentar organizar tudo pode, paradoxalmente, tornar-se uma fonte de ansiedade?

Marta Vedor: Sem dúvida. Quando a organização passa a ser mais uma exigência de perfeição, pode transformar-se numa fonte de stress. Vejo muitas pessoas que olham para imagens de casas perfeitamente organizadas nas redes sociais, no Pinterest, e sentem que a sua própria casa está sempre a falhar, ou que a casa não tem espaço para ficar organizada, ou que não é esteticamente agradável o suficiente para ficar organizada, etc.

A organização deve mesmo tentar ao máximo simplificar a nossa vida. Não precisamos de ter tudo organizado ao mesmo tempo, nem de manter a casa permanentemente impecável.

Precisamos de criar sistemas suficientemente simples para conseguirmos viver e manter a casa sem sentir que trabalhamos constantemente para ela. Além disso, fazer as coisas de forma consistente e em pequenas ações ajuda muito mais do que tentar passar um fim de semana todo a organizar.

Aquilo que quero mesmo que as pessoas entendam é que a organização vai sempre fazer-te poupar mais tempo, mais dinheiro e acima de tudo descomplicar uma vida que já tem estímulos e exigências suficientes fora de casa. Na minha experiência, quando a organização é pensada para simplificar e não para criar mais exigência, os benefícios acabam por ser muito maiores do que o esforço inicial.


Quando a organização é uma responsabilidade de todos

Organizar uma casa não significa apenas decidir onde guardar os objetos. Numa família, existe também uma dimensão de comunicação, cooperação e distribuição de responsabilidades. Quando essa gestão recai sempre sobre a mesma pessoa, a organização pode transformar-se numa nova fonte de sobrecarga. 

Teresa Silva: Que desafios específicos encontra, por exemplo, em pessoas que conciliam trabalho, família, vida pessoal e outras responsabilidades?

Marta Vedor: O principal desafio é quase sempre a sobrecarga. Muitas pessoas estão a tentar gerir simultaneamente o trabalho, os filhos, a casa, as refeições, as compras, compromissos familiares e ainda encontrar algum tempo para si próprias. Nestas situações, a maioria acredita que a solução é organizar mais ou ter mais organização. Mas, muitas vezes, não é preciso fazer mais, é preciso simplificar, reduzir tarefas, delegar e distribuir responsabilidades. Uma pessoa não consegue ter uma casa funcional se sentir que é responsável por absolutamente tudo o que acontece dentro dela. Dentro do meu método tenho três pilares que fazem com que uma casa se mantenha mais organizada para toda a família e a grande maioria não os faz: comunicação, cooperação e não cobrança. Quando toda a família se rege por estes pilares, a vida em casa fica mesmo muito mais leve.


Teresa Silva: Como podemos envolver toda a família na organização sem que uma única pessoa fique responsável por "gerir" tudo?

Marta Vedor: Seguindo Exatamente os três pilares que falei atrás. A organização da casa tem de ser uma responsabilidade partilhada. É importante que cada pessoa saiba quais são as suas responsabilidades e, sobretudo, que consiga perceber onde as coisas pertencem. A casa precisa de ser gerida como uma responsabilidade coletiva, e não como responsabilidade de uma única pessoa. Por exemplo, se cada objeto tem um lugar lógico e acessível, torna-se muito mais fácil para toda a família participar. O objetivo não deve ser criar uma pessoa responsável por gerir a casa e várias outras que "ajudam". Devemos criar um sistema em que todos contribuem para o funcionamento da casa. Eu sei que é complicado em especial quando sempre houve uma pessoa responsável, mas não posso salientar o suficiente o quão importante é respeitar estes três pilares: comunicação, cooperação e não cobrança.

Comunicar o que funciona e não funciona, alterações a fazer, pequenas discussões, etc; haver cooperação entre todos, não pode haver uma única pessoa responsável por tudo, deve haver responsabilidades partilhadas, isso gera muita autonomia, principalmente quando há crianças; e não cobrança, se por algum motivo alguém não conseguiu fazer vamos perceber o porquê (voltamos à comunicação) e o que podemos ajustar para simplificar ainda mais. Aquilo que vejo cada vez mais são famílias ressentidas que simplesmente falham no principal: a comunicação.

Imagem com fundo branco contendo uma citação em destaque à esquerda, iniciada por grandes aspas cor-de-rosa. Lê-se: "A consistência na organização é muito mais importante do que a intensidade.". Abaixo, em texto preto e cor-de-rosa, está o nome "Marta Vedor" e o título "Personal Organizer, autora e fundadora da Organização e Companhia". À direita, dentro de um círculo, encontra-se uma fotografia de Marta Vedor a sorrir, com óculos, camisa branca e cabelo escuro, sentada num sofá com uma planta verde atrás.

Pequenas mudanças para uma vida mais leve

Depois de falarmos sobre organização, rotinas e vida familiar, chegamos à dimensão mais pessoal do trabalho de Marta: aquilo que mudou na sua própria forma de viver e as regras que considera fundamentais para uma casa funcional. 

Teresa Silva: Qual foi o hábito de organização que mais impacto teve na sua própria vida?

Marta Vedor: Sem dúvida, ter menos coisas. Quanto menos coisas temos, menos coisas temos para gerir, organizar, limpar e decidir. Esta é uma das ideias que mais mudou a minha forma de olhar para a organização e para uma vida mais simplificada. Muitas vezes procuramos melhores sistemas para conseguir gerir uma quantidade enorme de coisas, quando a verdadeira solução pode estar em reduzir aquilo que temos. E quando conseguimos fazer isso, ganhamos algo muito mais importante do que espaço. Ganhamos tempo para dedicar à nossa vida.


Teresa Silva: Existe alguma coisa que hoje faça de forma completamente diferente graças ao seu trabalho com organização?

Marta Vedor: Mais do que uma mudança numa tarefa específica, o meu trabalho deu-me uma capacidade de perceber a relação entre a casa e a vida de uma pessoa. Hoje consigo, muitas vezes, perceber como está a funcionar a vida doméstica de alguém simplesmente pela forma como me descreve a sua casa ou comentários sobre a sua vida doméstica. Consigo identificar situações em que a divisão de tarefas não está equilibrada, em que uma pessoa está a carregar praticamente toda a gestão doméstica ou em que existe um caos que parece impossível de solucionar. E muitas vezes esse problema não fica dentro de casa, acaba por afetar a vida profissional, social e pessoal.

É uma das coisas que mais me marcou ao longo destes anos, perceber que organizar uma casa pode ser muito mais do que organizar objetos, e que a maioria das pessoas ainda não olha para a casa como um sistema que pode facilitar (ou dificultar) toda a sua vida.

Focam-se muito no estético da organização da casa e muito pouco naquilo que realmente importa, que é o tornar a casa num espaço tranquilo, sem stress e que nos ajuda a recuperar para enfrentar o que está fora de casa. Como digo muitas vezes aos clientes, a nossa casa nós podemos sempre controlar: controlamos quem entra, o que entra, o que é feito. Raramente conseguimos ter controlo sobre a nossa vida fora de casa.

Porém, a maioria das pessoas dá pouca atenção àquilo que acontece realmente no espaço que nos devia recarregar e não drenar.


Teresa Silva: Se pudesse ensinar apenas três regras de organização pessoal a alguém, quais seriam?

Marta Vedor: A primeira seria fazer triagens regulares para ficares apenas com aquilo que realmente faz sentido para a tua vida atual. A segunda seria definir um lugar definitivo para cada coisa dentro de casa, juntando categorias semelhantes ou coisas utilizadas em conjunto.

E a terceira seria criar pequenas regras de manutenção diária, semanal e mensal para poderes ir mantendo o espaço organizado durante mais tempo. Se estas três coisas estiverem presentes, grande parte da organização torna-se muito mais fácil.


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Teresa Silva: Qual é o erro de organização que vê as pessoas cometerem com mais frequência?

Marta Vedor: Tentarem organizar antes de fazerem uma boa triagem. É muito comum alguém olhar para uma gaveta cheia e pensar imediatamente: "Preciso de uma caixa maior" ou "Preciso de um organizador". Mas se estamos a tentar encontrar espaço para coisas que já não usamos, estamos apenas a tentar organizar o excesso. Primeiro precisamos de perceber o que temos (a maioria das pessoas não sabe sequer esta parte) e decidir o que fica, depois categorizamos e juntamos semelhantes, e só então pensamos na melhor forma de organizar escolhendo caixas, cestos ou outros organizadores, quando realmente fazem sentido.


Teresa Silva: Se tivesse de resumir numa frase aquilo que uma boa organização pode mudar na vida de uma pessoa, o que diria?

Marta Vedor: Uma boa organização não te dá mais horas no dia, mas pode devolver-te tempo, tranquilidade e espaço mental para aquilo que realmente importa.


Conclusão

Em suma, a organização não se resume à estética ou a uma busca inalcançável pela perfeição. Como nos mostra Marta Vedor, o verdadeiro objetivo de organizar a casa é simplificar a rotina, reduzir o excesso e devolver tempo e tranquilidade para aquilo que realmente importa. Com um método prático focado na triagem, categorização, organização e manutenção, aliado a uma dinâmica familiar baseada na comunicação e na partilha, é possível transformar o espaço onde vivemos num verdadeiro refúgio de bem-estar.

Gostaram desta entrevista? Venham inspirar-se ainda mais e acompanhar o meu trabalho de perto no meu Instagram! Podem também explorar todos os recursos e conteúdos oficiais da Marta Vedor através dos seguintes contatos:

Site: https://organizacaocompanhia.com/

Instagram: https://www.instagram.com/organizacaocompanhia

Youtube: https://www.youtube.com/@organizacaocompanhia


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